Em meio à maior crise de crédito rural desde 1995, os produtores brasileiros enfrentam desafios inéditos. Apesar do Plano Safra recorde de R$ 516,2 bilhões para o ciclo 2025/26, o desembolso efetivo tem sido frustrante: apenas 26% dos recursos disponíveis chegaram ao campo até setembro de 2025.
Este cenário exige não apenas coragem, mas também planejamento estratégico e adoção de soluções criativas. Vamos explorar o contexto, impactos e caminhos práticos para fortalecer sua produção e garantir a sustentabilidade financeira.
O ciclo 2025/26 iniciou com R$ 405,9 bilhões destinados, mas observou desembolsos de apenas R$ 105,371 bilhões até setembro, queda de 18,5% em relação ao período anterior. Mesmo considerando R$ 55,85 bilhões via CPRs, a retração permanece em 12%.
A alta da Selic a 15% ao ano e o aumento das taxas de custeio e investimento têm elevado substancialmente o custo para os produtores. A inadimplência geral atingiu 5,14% em julho, recorde negativo que pressiona ainda mais a oferta de crédito.
O aperto financeiro impacta diretamente a capacidade de custeio, investimento e comercialização:
Produtores de todos os portes sentem o impacto. No Pronaf, o desembolso caiu 3%, enquanto no Pronamp recuou 13% e as taxas de juros subiram de 8% para 10%. Grandes produtores enfrentam retração de 25% no desembolso e custeio a 14% ao ano.
A distribuição regional também evidencia desigualdades. O Sul concentrou R$ 39,59 bilhões em 206.970 contratos, enquanto o Nordeste teve apenas R$ 9,624 bilhões em 263.424 contratos.
Apesar da adversidade, existem práticas que podem ser adotadas para melhorar a saúde financeira da propriedade rural:
Para reduzir a dependência do crédito tradicional, considere diversificar as fontes de recursos:
Implementar disciplina financeira é essencial para atravessar períodos de restrição:
Em tempos de crise, a colaboração se torna pilar de sobrevivência e crescimento. Considere:
Parcerias com startups de agritech para monitoramento remoto do solo, uso de drones e análise de dados que aumentam a eficiência. Associações de produtores podem atuar como canais de negociação coletiva, garantindo melhores condições de crédito e compra de insumos.
Investir em práticas de agricultura de precisão não é luxo: pode reduzir custos com fertilizantes e defensivos, mantendo a produtividade.
O seguro rural é um aliado fundamental para gestão de riscos climáticos e de mercado. Embora o orçamento de R$ 1 bilhão para 2025 tenha sido pouco executado (apenas 6%), produtores que contratam seguro:
Verifique programas estaduais e subsídios para ampliar a cobertura de seguro sem comprometer o orçamento.
Enfrentar a escassez de recursos financeiros requer atitude proativa, planejamento e uso inteligente de ferramentas disponíveis. A crise de crédito rural pode se tornar uma oportunidade para modernizar a gestão, fortalecer redes de colaboração e diversificar as fontes de financiamento.
Cada passo dado com estratégia e disciplina contribui para a construção de propriedades mais resilientes. A união entre tecnologia, práticas financeiras sólidas e parcerias eficientes pavimenta o caminho para um agronegócio sustentável e próspero, mesmo nos cenários mais desafiadores.
Referências